denise poeta

um blog apaixonado por boa poesia

23.1.12

Oito patas

a verdade em listras de tigre
ou o  desejo nos olhos da pantera
há sempre um felino nos vãos
da poesia dos primatas
 
 não adianta polegares opositores
na palma da pata do gato
algum texto em silêncio salta almofadas escala caixas
depois repousa na poltrona do sofá
 
e o poeta primata felinifica-se

Este texto foi escrito a quatro mãos: Luiz Mendes, em negrito, e Denise Aidar, sem negrito.

criado por denise    09:44:43 — Arquivado em: Sem categoria

27.5.11

Iluminações

vertiginosa

minha correria

encontra o verso

de onde todas as vozes

fervem candentes

 

movediça

minha mão

desencadeia estrofes

de onde todas as lidas

explodem vigorosas

 

a poesia, no entanto, só vê quem dá

 

(para o sarau na Casa da Memória, incluí a canção do Madredeus “Luz da Alegria”, a capela)

criado por denise    12:33:47 — Arquivado em: Sem categoria

6.2.11

carpete manchado 

pé água tempo óleo tinta 

seguimento sem compasso

riso aroma infância mão sabor

e a lembrança tenra

noite berço ninar voz cantiga  

criado por denise    08:45:25 — Arquivado em: Sem categoria

24.1.11

Em breve

Durante este ano, haverá surpresa no link adicionado hoje, da ophicina boneca de pano.

Acompanhem, e depois como sempre, manifestem-se.

Abraços,

Denise

“poesia: espalhe esta idéia”

criado por denise    09:28:16 — Arquivado em: Sem categoria

27.12.10

Em dois fôlegos

 

mergulho cego

frenesi de madrugada

aqui o tempo não conta

sobrepujo todo relógio

cruzo recifes em labirinto

no ritmo do meu tímpano

emerjo do outro lado

lama resto displicência

 

paciência, dizem

que mais não pode um intestino

 

que mais não abocanha o destino

de uma pessoa virgem

 

a cegueira do mergulho

furou meus pulmões de pena

 

estratagema, dizem

que mais não podem os rastros

os castos desejos

de quem renasce além das fronteiras

 

 

em verde, texto de Rubens da Cunha; em cinza, texto de Denise Aidar Warnecke

criado por denise    21:32:09 — Arquivado em: Sem categoria

14.12.10

Dois Faróis

 

Inútil lutar contra

vejo tudo depressa

na palidez do crepúsculo

simbólica distância

sou menos que desejo

 

noves fora dores

resta minha escolha

semblante em queda

meu rosto de asfalto

é impermeável à chuva

 

através da neblina

um sopro seco

um vulto de saudade

escorre pelos cantos

 

não lembro dos sapatos

das cores no semáforo

do cinza eterno do chão

vi teus olhos de trem chegando

 

eu, em descarrilo

sou menos que desejo

sou tudo que vejo

e não posso desver

 

poema em conjunto: versos em azul, de Jotabê, versos em cinza, de Denise.

criado por denise    22:21:22 — Arquivado em: Sem categoria

22.11.10

Passagem

relembro parque

pião roda

pipa pirulito

cata-vento pandeiro

 

troco roupas de papel

em bonecas de lágrima

invento cães

borro sonhos

 

o tempo tamborila

cinza feito nuvem

em céu de barco

fim de pesca

 

escorrego menina

ergo-me ruga

 

texto apresentado em 20/11/2010, no 5º Sarau da Lua Cheia, em Florianópolis, SC

criado por denise    05:34:50 — Arquivado em: Sem categoria

28.9.10

a quatro olhos

(Denise Aidar Warnecke e Ítalo Puccini)

 

deserta, desapego-me de quereres e quem sabe de sonhares.

abandonada ao eixo torto da palavra, atropelo letras e papel.

meus dois olhos fervem versos, inveja

 

branca. é assim que escrevo o mundo.

em folhas de papel também em branco.

é preciso ser escuro para ler.

criado por denise    09:37:48 — Arquivado em: Sem categoria

30.8.10

o cara do hotel

estranho, ele deixou uma folha em branco sobre a mesa e virou as costas ao público. depois, do nada, tirou a corrente de ouro do pescoço e com força desmontou-a em alguns pedaços. ironia, seu cabelo seboso e caspento reluzia ao acender das luzes no crepúsculo. estranho, feito mola de geladeira começou a dançar e marcava o ritmo apertando furiosamente aquela campainha de bicicleta sobre o balcão. ironia, tirou a camisa ali na frente de todos e atirou-a em direção às mulheres assustadas no sofá. antes da polícia aparecer ele evaporou ao abrir uma garrafa de bebida.

criado por denise    23:25:19 — Arquivado em: Sem categoria

16.8.10

Dádiva

de “Mitológica”, minha autoria, no projeto Alea Jacta Est, publicado pelo SIMDEC, Joinville, SC, setembro 2009, cujo organizador foi o escritor Rubens da Cunha.

é vedado ao homem ser estátua.

criado por denise    10:29:57 — Arquivado em: Sem categoria

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